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TRÁFICO INTERNACIONAL DE ANIMAIS SILVESTRES: UM PROBLEMA MEU, SEU, NOSSO.

Segundo IBAMA, quando se retira um animal da natureza, é como se quebrássemos ou, ao menos, enfraquecêssemos o elo de uma corrente. Lógico que somente um animal não faria falta mas, não apenas um e sim, centenas, milhares de animais são retirados por ano de nossas matas. Para se ter uma idéia, um caminhão rotineiramente utilizado no tráfico de animais transporta cerca de 1.000 espécimes (alguns chegam a transportar 3.000 animais). Basta, então, se perguntar: quantos caminhões estão rodando pelo país e quantos destes poderiam estar transportando animais silvestres em meio a sua carga?

Seu cachorro não pode ser solto. Não existe mais lugar para o Canis familiaris (espécie do cão) no mundo natural. Mas os animais do tráfico ainda possuem populações que vivem em liberdade e, ainda possuem ambientes nos quais podem viver. Para que sujeitá-los a uma vida em cativeiro?

Qualquer pessoa que possua um cão sabe da alegria que o mesmo expressa ao saber que vai sair para passear. Um animal com milhares de anos de domesticação ainda se sente mais contente livre que dentro de um apartamento ou em uma casa. E um pássaro? Que embora possa voar, será condenado a passar toda sua vida em uma gaiola? Papagaios acorrentados e araras com as asas cortadas, será esta a melhor vida para eles?

Entretanto, o cativeiro não é a única tortura a que são submetidos os animais do tráfico, é simplesmente a última e perpétua pena. Durante a captura os mesmos são feridos, mutilados, além e transportados sem espaço, água ou comida o que culmina na morte de muitos durante o caminho.

A sua simples captura também pode resultar em muito sofrimento. O alçapão armado, a captura, o animal de debate, se joga contra as grades da gaiola, em vão. Ele não mais escapará, não mais será livre. Doravante, a prisão… a gaiola será sua moradia. O vôo será trocado por monótonos pulos de um poleiro a outro, dia a dia – toda a vida. Entretanto, não somente o animal capturado sofrerá; seu filhote continuará no ninho, piando… chamando… esperando, pelo pai, pela mãe, pelo alimento que não mais virá.

Segundo, Renctas, os dados são alarmantes:

– 20 bilhões de dólares por ano é a estimativa do volume de negócios com animais

– 10% do mercado internacional corresponde a animais capturados no Brasil

– 12 milhões de animais brasileiros por ano são capturados ilegalmente, segundo o Ibama

– 38 milhões de animais são caçados ilegalmente todo ano no Brasil, segundo a Renctas

– 500 milhões de dólares são movimentados anualmente pelo comércio de produtos animais para a pesquisa e a indústria farmacêutica

– 80% das aves capturadas no território brasileiro morrem por causa dos maus-tratos antes de serem vendidas ou resgatadas pela fiscalização

– 30 mil macacos são exportados anualmente só da região amazônica para serem usados em pesquisas biomédicas

Conforme WWWF Brasil, o animal silvestre não é o doméstico. O doméstico já está acostumado a viver perto das pessoas, como os gatos, cachorros, galinhas e porcos, entre outros. Já o animal silvestre foi tirado da natureza e reage à presença do ser humano. Por essa razão, tem dificuldades para crescer e se reproduzir em cativeiro. O papagaio, a arara, o mico e o jabuti, ao contrário do que muitos pensam, são animais silvestres.
Tráfico é o comércio ilegal. Traficar animais significa capturá-los na natureza, prendê-los e vendê-los com o objetivo de ganhar dinheiro.
Há uma relação entre o tráfico nacional e o internacional: o Brasil possui um grande comércio interno de animais, que sustenta os traficantes que agem no país e servem como intermediários para os traficantes internacionais. Se o tráfico interno diminuir, o número de animais brasileiros levados para o exterior também será menor.
Os meios de transporte mais usados pelos traficantes são caminhões, ônibus interestaduais e carros particulares. Os animais são transportados nas piores condições possíveis. São escondidos em fundos de malas ou caixotes, sem ventilação, e ficam vários dias sem comer e sem beber. Resultado: de cada 10 animais capturados, nove morrem no caminho e um chega às mãos dos compradores.
Alguns traficantes costumam rodar os micos pelo rabo para que eles fiquem tontos e passem ao comprador a imagem de que são animais mansos. Muitos cegam os pássaros e cortam as suas asas para que eles não fujam e arrancam os dentes e serram as garras dos animais para que eles se tornem menos perigosos.

Denuncia Dener Giovanini, coordenador-geral da ONG Renctas que “Tem gente que fura com agulha os olhos dos pássaros para que eles não enxerguem a luz do dia e não cantem. Isto tudo para não chamar a atenção da fiscalização”. A crueldade não tem limites. Há pessoas, segundo Dener, que quebram o osso do peito das araras para que elas fiquem imóveis e pareçam mansas diante dos possíveis compradores.

Tramita no Congresso Nacional um projeto de lei para equiparar o tráfico de animais silvestres ao tráfico de armas e drogas, afirmou ontem o ministro Carlos Minc:”Vamos diferenciar a vovozinha que ouve o pássaro que o netinho apanhou na floresta do sujeito que pegou mil pássaros e enviou para a Alemanha. Este último terá de cumprir penas equivalentes aos crimes de tráfico de armas e drogas”. O tráfico de armas é punido com 4 a 12 anos de prisão e o de drogas com 5 a 15 anos de reclusão.

Vale destacar o programa do Superior Tribunal de Justiça – STJ CIDADÃO, de março de 2010 sobre o Tráfico de Animais Silvestres:

“A questão não é eles pensam ? Ou eles falam ? A questão é: eles sofrem.”
Jeremy Bentham

Fonte:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090313/not_imp338136,0.php
http://www.ibama.gov.br
http://www.renctas.org.br
http://www.wwfbrasil.org.br

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